JN ediçao de Domingo
26 de
Abril de
2009(Visto do Sofá)
Álvaro Magalhães (Escritor)

Depois da comida "gourmet" da Champions custou muito aos portistas o regresso ao pobre feijão com feijão da nossa Liga, e também ao arroz com arroz da nossa Taça, sabendo que, daqui em diante, isso é tudo o que haverá para o jantar.
Ora, insistindo na metáfora culinária , o jogo de Coimbra no domingo passado, era um dos dois osso9s duros que era preciso roer ( o outro é o Marítimo, no Funchal) . A Académica só perdera em casa um vez, com o Benfica, e sabe-se como são problemáticos os jogos que se seguem a uma saída dolorosa da Champions, com a equipa ressacada,entregue a uma espécie de depressão pós-choque. nestas alturas, é preciso mudar o "chip"e, por vezes, a sintonia falha, ou tarda a fazer-se. foi o caso, por acaso. tanto em Coimbra como na amadora, a meio da semana , a equipa esteve triste , confusa, inconsequente. deixem-me dizer isto: o melhor desses dois jogos foi de longe, a claque dos
SUPER DRAGÕES, que se fez ouvir ininterruptamente, numa espécie de acalento que manteve a equipa acordada ( e a nós também). com o ritmo jâmbico e monótono, mas incessante, dos seus cânticos, acalentou os jogadores, tal como àquelas mães que tratam as feridas dos filhos com ternura curativa.
Em Coimbra ( esqueçam o jogo da amadora, essa formalidade incómoda), valeu'a eficácia nos jogos fora, a marca suprema desta equipa que põe em causa o saber estabilizado sobre as vantagens da territorialidade. Tal como ela está formatada, a vantagem é jogar fora, onde o espaço não rareia e os adversários sempre se atrevem a avançar com a bola, chegando mesmo a ter a ilusão de que podem ganhar e é isso que os perde. Esta foi a nona vitoria fora na liga e mais elucidativo ainda é o numero de golos (28) marcados nesses nove jogos 8 (media superior a 3).
E agora, que nos apagaram a luz radiosa da Champions, ate nós, adeptos, íamos de ferias, mas ainda falta acabar de ganhar a Liga - e a Taça, já agora. Ésta visto, pórem, que não sera um passeio,tambem porque à orfandade de Lucho acresce agora a de Hulk, que foi, enfim, inutilizado (sim, lá conseguiram!) depois de inúmeras tentativas dos defesas, que o massacram netodicamente todas as semanas sob o olhar bovino dos árbitros.
Hoje, com o Vitória de Setúbal, será dado o primeiro dos cinco passos firmes que faltam para se chegar ao tetra. Dizem que quatro chegam, mas os adeptos querem cinco; e nao me refiro apenas aos jogos que restam para que se cumpra a Liga. Este tetra, em si, só será especial por ser uma alegre passagem para o segundo
PENTA da historia .
Permitam-me que cite José Afonso, tambem porque isso fica bem numa cronica, mesmo sobre o futebol, que foi escrita no Dia Da Liberdade:
"VENHAM MAIS CINCO!"